Entrevistando… Carolina Mylius, a ilustradora da capa de “Como (quase) namorei Robert Pattinson”

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

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Escrever é um trabalho bastante solitário.
Publicar um livro? Jamais.
Publicar um livro é um trabalho de equipe, em que cada pessoa deixa sua marquinha. Agente, editor, revisor, diagramador, ilustrador, marqueteiro, livreiro…
Tenho recebido muitas mensagens de leitores elogiando a capa do meu livro, “Como (quase) namorei Robert Pattinson”, que será lançado pela Editora Jangada.
A ilustradora responsável pela capa tão linda é a Carolina Mylius. Que tal saber mais sobre o trabalho dela?
De Carol para Carol…
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1) Há quanto tempo você ilustra profissionalmente? Conte um pouquinho sobre o primeiro trabalho e os que vieram em seguida?

Eu já ilustro profissionalmente há pelo menos dez anos. Eu comecei a fazer cursos de desenho assim que me formei na escola e realmente me dedicava a estudar e praticar, porque tinha o sonho de desenhar histórias em quadrinhos. Um dos cursos que fiz foi o de desenhos de HQ, do Daniel HDR, um dos ilustradores da DC Comics atualmente. Ele me convidou para ser membro do estúdio que estava montando na época, com os melhores alunos. Meu primeiro trabalho foi uma ilustração para uma revista nova de quadrinhos que, infelizmente, ficou apenas nesse primeiro número. A ilustração era de dois personagens de uma das histórias da revista.
Eu não ganhei quase nada pela ilustração, mas a sensação de ver um trabalho publicado era maravilhosa. A partir daí, comecei a estudar coloração digital também e acabei pegando trabalhos de coloração de ilustrações de outros artistas.
Em 2001, participei como fanzineira de um evento de anime e mangá, em São Paulo, onde tive a oportunidade de expor meu trabalho como ilustradora de quadrinhos junto com outros fanzineiros. Esse fanzine foi a minha primeira história em quadrinhos ilustrada em estilo mangá e fiz muitos bons contatos por causa dessa história. Entre esses contatos, a autora Eddie Van Feu, que me convidou para ilustrar os quadrinhos de sua história, Alcatéia.
Mas acredito que meu trabalho começou mesmo quando entrei para a faculdade de Design, e, em 2006, tive a chance de trabalhar na empresa de jogos digitais, Southlogic Studios. Foi lá que realmente aprendi boa parte do que sei agora sobre ilustração e design. Foram 5 anos trabalhando com jogos digitais e tendo contato com ótimos profissionais, inclusive estrangeiros, que me permitiram ter o conhecimento e a experiência que tenho hoje.

2) Como funciona seu processo criativo? De onde tira inspiração e quanto tempo em média demora para ilustrar uma capa de livro?

Eu busco inspiração na internet e em livros de arte. Sou viciada em artbooks de filmes, animações e jogos, e também livros de arte de fantasia. Tenho uma biblioteca considerável desses livros e geralmente os consulto quando preciso de ideias.
Também gosto muito de acompanhar o que vem acontecendo no mercado literário e, é claro, analisar as capas que tem aparecido, principalmente as de livros jovem adulto e de fantasia.
Quando o cliente me pede uma capa, a primeira coisa que analiso é do que se trata a história e como posso representar isso na capa sem mostrar muito da trama. Às vezes o cliente já tem uma ideia do que quer e eu vejo se vai funcionar para a capa ou não. Geralmente faço um rascunho antes para ver se funciona.
Depois do rascunho concluído é que parto para a produção, que pode me levar até uma semana de trabalho.

3) Como se deu a criação da capa do livro "Como (quase) namorei Robert Pattinson"? Por onde começou, que recursos utilizou, desenhou diretamente no computador?

A capa do livro foi uma das mais fáceis e divertidas que já fiz. Primeiro porque esse estilo mais cartoon era o que eu fazia quando trabalhava com jogos e tenho muito mais facilidade de fazê-lo do que o estilo realista. Segundo porque o briefing estava perfeito, com todos os detalhes que eu precisava saber sobre o livro e as referências de personagens e de outras capas semelhantes, coisa que raramente me passam.
O processo foi simples.  Eu rascunhei a minha ideia baseada na ideia que a Carol tinha da capa e que estava escrita no documento que o editor me enviou. Enviei esse rascunho para o editor e ele me disse o que achava e o que gostaria que mudasse. Mandei para ele um novo esboço com as alterações pedidas e, depois de aprovado o layout, comecei o processo de finalização da capa. Todo o processo foi feito no computador. Eu raramente trabalho a mão porque uso tablet, o que me permite fazer os rascunhos direto no computador, onde é muito mais fácil de editar.

4) Qual é a sensação de entrar em uma livraria e se deparar com uma capa ilustrada por você?

Acho que é tão boa quanto a sensação que o autor tem quando vê o seu livro na livraria. De certa forma, é como se fosse uma obra minha também. Principalmente quando vejo as pessoas elogiando a capa ^ ^.

5) Está ansiosa para o lançamento de "Como (quase) namorei Robert Pattinson"? O que espera da história?

Bastante ansiosa.
Eu gosto da saga Crepúsculo e, apesar de a história não ter nada a ver com Crepúsculo, acredito que vai ser um livro muito engraçado e com uma boa dose de romance, duas coisas que adoro em qualquer história.
Sem contar que gosto muito dos livros publicados pelo Grupo Editorial Pensamento e confio na qualidade e no conteúdo de seus livros. E com esse novo selo, o Jangada, não deve ser diferente. Sei que uma editora séria e, portanto, se escolheu publicar esse livro é porque a história deve ser muito boa.
E, é claro, o trabalho gráfico deve ficar sensacional, não vejo a hora de vê-lo impresso.

Deixe aqui um recado final:

Gostaria de agradecer a você, Carol, por disponibilizar esse espaço no seu blog e, também, gostaria de agradecer a todos que vem me apoiando e me possibilitando trabalhar com livros tão incríveis.
Quero agradecer ao Adilson e ao Grupo Editorial Pensamento por acreditarem no meu trabalho e por terem me dado essas capas para fazer, Ragnarok e Como (quase) namorei Robert Pattinson, que foram alguns dos trabalhos que mais gostei de fazer até agora.
E, por último, gostaria de convidar a todos para conhecer esse livro e deixarem sua opinião sobre a capa. Quero muito saber o que todos acharam, afinal a capa é feita para atrair os leitores e saber o que eles gostam ou não é fundamental nesse trabalho.
Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho é só visitar o meu blog: Carol Mylius.
Desejo muito sucesso à Carol Sabar e que venham muitos outros livros por aí.
Um grande beijo a todos,
Carolina Mylius


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