Pé na estrada - Nova York

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

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Oiê, pessoal, tudo bem?

Hoje começa uma nova seção aqui no blog, em que eu vou escrever sobre viagens! Levanta a mão pra cima e dá um salto!

Essa maluca aí sou eu!

Uma das grandes paixões da minha vida é viajar! Conheço várias cidades de vários países. Com grana ou sem grana, de mala ou de mochilão, de busão, de carro ou de avião, no Brasil ou fora dele: para mim, tanto faz. O negócio é experimentar outros lugares, outras culturas. Uma vez, fiquei 23 dias viajando pela "Zoropa" com uma mochila nas costas e pouco dinheiro no bolso.


Mas agora chega de conversa fiada e vamos logo ao que interessa!

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Nova York

Nota (de 0 a 5 malinhas):   
Quantas vezes já estive lá: 3 (na primeira vez, fiz intercâmbio)
Lugares preferidos: Central Park, Soho, Times Square, Top of the Rock
Restaurantes preferidos: Junior's (o melhor cheesecake de NY), Magnolia Bakery, Dean & DeLuca, P.J. Clarke's

Aconteceu de verdade

"O dia da chegada"

Envolvidos no caso: Eu, Best Friend do Airplane, Guardinha Sem Coração, Guardinha de Bom Coração, Recepcionista da Residência, Diogo.
Música tema: "Empire State of Mind"

Lá estava eu, em dezembro de 2009, no aeroporto do Galeão, naquele túnel comprido que leva a gente até a aeronave, quando uma garota estacionou atrás de mim na fila.
— Nossa — disse ela, com o sotaque da Bahia. — Que demora essa fila.
— Nossa — respondi, sobressaltada. — Demora mesmo!
“Para tudo que essa garota pensa exatamente como eu!”, concluí, maravilhada, naquele estado de carência apatetada que viajar sozinha nos proporciona.


Contei para ela que eu estava indo para Nova York pela primeira vez, para estudar inglês, e que ficaria hospedada em Manhattan, numa residência só para mulheres.  Ao que ela respondeu, com toda sabedoria:
— Puxa. É uma experiência pra guardar pra vida toda.
“Gente!”, pensei, chocada. Era o mesmo argumento que eu tinha usado, meses antes, para convencer a mim mesma de que todo aquele investimento financeiro no intercâmbio valeria a pena!
E quando descobri que a garota se sentaria ao meu lado no avião, fiquei ainda mais estupefata e ela se tornou minha Best Friend do Airplane.



Ela comeu lasanha, eu também. Ela assistiu a um seriado no computador de bordo, eu também. Ela virou para o lado, para dormir, eu também. Quando pousamos em Nova York, ela se dirigiu para a fila da imigração com os documentos na mão, eu também. Estávamos pegando nossas malas na esteira do aeroporto quando ela sugeriu:
— Vamos dividir um táxi até Manhattan?
Eis o que eu deveria ter respondido:
— Claro, amiga! Vamos dividir um táxi.


Eis o que eu respondi:
— Não, obrigada. Vou de metrô.
Foi o primeiro erro do dia.


Ah, deixa eu te explicar uma coisa. Pouco importava que eu estivesse sozinha numa cidade desconhecida, às 6h30 da manhã de domingo. Pouco importava que o aeroporto ficasse a quilômetros de distância do centro de Manhattan, que eu tivesse que pegar primeiro um trem, depois o metrô e fazer mais umas quatro baldeações até o meu destino final. Nessas horas, meu espírito de mochileira falava mais alto. E uma mochileira jamais gasta 50 dólares no conforto de um táxi quando ela pode gastar um décimo disso e chegar ao mesmo lugar.
— Ok — disse ela, que não era boba nem nada. — Então tchau.
Da Best Friend do Airplane nunca mais tive notícia.



Então, novamente, tinha restado apenas eu.
E Deus.
E uma mala de rodinhas.
E uma mochila nas costas.
E um casacão a tira colo.
E um aeroporto imenso, dentro do qual, eu sabia, tinha de haver uma plaquinha indicando a direção do trem que me levaria até o metrô.
Procurei, procurei, procurei.


Até que encontrei o caminho e me apressei para descer pelas escadas rolantes. Lá embaixo, levei um baita susto com um guardinha furioso tagarelando na minha direção, apontando para mim, para a mala e para as escadas. 


“O que foi que eu fiz de errado, meu Deus, o que foi que eu fiz? Será que ele vai me prender?”
Fiquei olhando para o guardinha sem saber o que fazer.


O Guardinha Sem Coração falava muito rápido, com todo aquele sotaque nova-iorquino que ele tinha, realmente intimidador. Quando finalmente entendi que era proibido descer pelas escadas rolantes com uma mala de rodinhas e que, por isso, eu deveria ter descido de elevador, simplesmente falei:
— I’m sorry. — E saí de fininho.


O trem me deixou na estação de metrô, que, para meu desespero, era ao ar livre. Fazia um frio de doer. Vesti o casacão e esperei. 


Depois de quase uma hora pulando de estação em estação, eu já tinha me acostumado àquela voz masculina saindo dos auto-falantes do metrô de NY: "Stand clear of the closing doors, please".


Verifiquei o mapa do “subway”. Havia duas alternativas, duas estações diferentes em que eu poderia fazer a última baldeação que me faltava. Escolhi aleatoriamente uma delas.
Foi o segundo erro do dia


Aquela era uma das poucas estações de Manhattan em que a baldeação não é feita no próprio local. Eu precisaria sair de onde estava, ou seja, subir as escadas até a calçada, atravessar a rua lá em cima e novamente descer as escadas para a outra estação. E dessa vez, os degraus não eram rolantes. 


Para minha sorte, um Guardinha de Bom Coração apareceu de repente e me ajudou a subir com a mala. Mas na descida para a outra estação, tive de me virar sozinha mesmo. 


Finalmente, mortinha da Silva, cheguei ao prédio de tijolinhos em que eu ficaria hospedada durante todo o intercâmbio. A Recepcionista da Residência me entregou as chaves do quarto e eu caí como árvore na cama macia. Fiquei ali, totalmente parada, sem ousar mexer um músculo por quinze minutos. 


Eu estava louca por uma sonequinha. Mas resolvi desfazer logo minha mala, arrumar minhas bugigangas no guarda-roupa embutido na parede. Eu já havia pendurado quase todas as roupas nos cabides quando me deu vontade de fazer xixi. O banheiro, que era coletivo, ficava no corredor do meu andar. Antes de sair do quarto, bati a porta do guarda-roupa e, só para garantir, girei uma pequena chavinha que estava pendurada no puxador. 
Foi o terceiro erro do dia


Quem já leu o “Como (quase) namorei Robert Pattinson” provavelmente vai se lembrar da cena da Duda e do cofre digital.
Pois é. Infelizmente minha inspiração para escrever essa cena não veio do além.
Quando voltei do banheiro, a porta do meu guarda-roupa não abriu! Empurrei, soquei a madeira, mas não consegui desemperrar a danada da chavinha. Pedi socorro para a Recepcionista da Residência, mas ela também não resolveu o meu problema e, por fim, eu precisei assinar um documento, dando autorização para que ela pudesse chamar alguém para consertar a porta do guarda-roupa numa hora em que eu estivesse na escola, sabe-se lá Deus quando (demorou uma semana). 
Caí na cama de novo, sem acreditar na minha falta de sorte.


Ah, entenda. Eu não sou dada a esse tipo de chororô sentimentalista, ainda mais quando estou viajando. Não sou de ficar me lamentando, pelo contrário, sou uma pessoa bastante positiva, muito bem, obrigada. Mas o dia da chegada é o mais esquisito da viagem, as emoções da gente ficam à flor da pele. 
Só uma pessoa poderia me botar para cima naquele momento. Liguei para o Diogo, meu namorado.
Como sempre, falei, falei, falei. Como sempre, ele me ouviu, me ouviu, me ouviu. Só depois, quando eu já estava cansada da minha própria voz, é que ele começou a falar:
— Todos os seus casacos estão presos no guarda-roupa?
— Não — respondi, num fio de voz. — Ainda sobrou um. 
— Então, por favor, levanta logo dessa cama e vai pra rua! A sua viagem já começou inesquecível. Você está em Nova York, Carol! Vai viver a vida!
Nem pensei duas vezes. Vesti meu casaco e saí. 
Eu estava em Nova York, caramba! Em Nova York! Que acabou se tornando a minha cidade preferida de todos os tempos.




Lembranças de Viagem

beijinhos,
Carol



13 comentários :

Ana Paula Marques disse...

Amei, lende esse post me lembrei demais da Duda kkk
Quero fazer uma viajem assim também um dia.

Marina Pereira disse...

E para variar estou rindo, ok é triste rir dos outros, mais Carol é impossível não rir disso, TUDO acontece com você O.o
Mais uma coisa seu namorado estava certo Tu tava em NYC mulher tinha que ter aproveitado mesmo, vai que tu encontrava com o John (seu Rob.)

Rebeca Xaviier disse...

Carol, você é muito fofa e muito doidinha... Não é atoa que eu gosto de você!! <3 Hahaha

Fernanda Leite disse...

Eu rir, Otimo você falar da Duda que agora vou reler como eu quase namorei RP. E sua sorte tá melhor do que a da Bia viu hahahaha. Adorei o post

Tahis disse...

Olá Carol!
Me diverti bastante lendo esse post! E claro lembrei muito da Duda!
Fico imaginando como deve ser essa experiência,tenho uma enorme vontade de conhecer a Terra do Tio Sam! Adorei as fotos!
E seu namorado te deu um ótimo conselho, imagina estar em NY e não aproveitar?

Beijinhos!!
lovesnbooksandcupcakes.blogspot.com

Isabella Radd disse...

Adorei o post, Carol! Sinto muito pelas dificuldades que vc passou, e a verdade é que no final, a gente nem acredita que deu conta de tudo sozinha, né?
E, ow... vc canta beeem!! Vc e o César... caramba!
Beijos, linda! Saudades de vc!
Isabella.

Liliana disse...

Own....que maneiro Carol! Fiz parte do seu post aparecendo em umas das fotos! Que honra! Te adoro, Lili.

Danni disse...

Eu, como já havia percebido, sou simplesmente apaixonada pela sua escrita!
E AMEEEI o post!! <3 Mil coraçõezinhos. hahaha
Beijos
Danni
Garotas e Livros

Rafa Melody disse...

Oi Carol, tudo bem?
Que coluna maravilhosa!!!!!!!!
Amei, e que coisa menina? Eu surtaria, apesar de ter muita vontade de viajar para vários lugares sou muito apegada a segurança do meu lar rsrsrs. Gostei bastante do lance da Best Friend do Airplane kkkkkkkkk
Beijos

Rafa Melody
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Gabi G. disse...

Amei seu post!
Principalmente porque NY é o meu top 1 na minha lista enorme de lugares que preciso visitar (todos).
As vezes sinto que estou esperando minha vida começar.

Obrigada por compartilhar sua experiência conosco, Carol! :D

Anônimo disse...

Tadinha de vc! Que experiência, hein?!
Mas NY é NY... s2

Anônimo disse...

Saudações, Carol! Caramba, que experiência estranhamente exótica! Você e a Duda com certeza tem muita coisa em comum - fora a coisa com o guarda-roupas tem também a preferência pelo Junior's :) Também pudera, porque você quem a criou e... Ah, esquece.
Comecei a ler Como (quase) namorei Robert Pattinson e estou amando (ter lido noventa e cinco por cento do livro é meio triste, porque a história já vai acabar), me divirto muito a a Duda! Sério, aquela guria tem a sanidade mental quase tão afetada quando a minha \O/
E, depois de ler o seu livro e este post, deu até vontade de, em vez de fazer intercâmbio em Londres, ir para NY :D É um dilema cruel. Tsc, tsc...
Anyway, quero te falar (ou digitar, diante as circunstâncias), que amo o seu jeito fabulosos de escrever!
Bye! :D

Tatá Pereira disse...

Muito divertido!!! Amei!!! <3
Vc fez um fã!!!

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